(...)
Encostada a
o parapeito, fumo e observo o céu. Passam-se vários minutos, talvez horas, não sei. O céu adentra-me a alma e perco-me no tempo, nos pensamentos e em ti. Não te oiço chegar. O bater da porta passa em branco. Chamas por mim, permaneço imóvel junto do parapeito. O ritmo cardíaco acelera por te saber perto. Aproximas-te de mansinho, sinto a tua respiração ofegante no meu pescoço, envolves-me nos teus braços, num abraço quente, apertado. Afastas o frio do corpo. Devolves o calor da alma. Beijas-me o cabelo. Assim ficamos: Sem palavras, abraçados, em silêncio. Por fim acordo. E choro. Não volto a adormecer. O silêncio raramente me incomoda. Mas o teu silêncio perturba, ele diz coisas que eu não quero ouvir. É o silêncio que não diz nada e eu entendo bem a tua mensagem.






