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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Mensagem no silêncio

O silêncio raramente me incomoda, no entanto falo pelos cotovelos como se tivesse necessidade de preencher essa lacuna imposta pela ausência de som. Acho que o faço mais por defesa pessoal do que para quebrar o gelo ou para que não haja embaraço. É estranho pensar que em alguns momentos de silêncio revelei mais de mim do que através de quaisquer palavras. É estranho expressar o inexpressável através do silêncio. Afigura-se mais fácil esconder-me por detrás de palavras do que revelar-me em silêncio. Não me custa estar em silêncio junto dos que amo. Não me custa ouvir o seu silêncio. Por vezes basta estar por perto, sem palavras. E isso não me incomoda. Nessa quietude, que às tantas se impõe, conheço a amplitude do amor que sentimos. Nesse silêncio se revela tudo o que não cabe nas palavras.
(...)
Encostada ao parapeito, fumo e observo o céu. Passam-se vários minutos, talvez horas, não sei. O céu adentra-me a alma e perco-me no tempo, nos pensamentos e em ti. Não te oiço chegar. O bater da porta passa em branco. Chamas por mim, permaneço imóvel junto do parapeito. O ritmo cardíaco acelera por te saber perto. Aproximas-te de mansinho, sinto a tua respiração ofegante no meu pescoço, envolves-me nos teus braços, num abraço quente, apertado. Afastas o frio do corpo. Devolves o calor da alma. Beijas-me o cabelo. Assim ficamos: Sem palavras, abraçados, em silêncio.

Por fim acordo. E choro. Não volto a adormecer. O silêncio raramente me incomoda. Mas o teu silêncio perturba, ele diz coisas que eu não quero ouvir. É o silêncio que não diz nada e eu entendo bem a tua mensagem.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Gostos são gostos e (quanto a mim) discutem-se :)

Diz-se que elas gostam deles mais velhos. Eu gosto deles mais velhos. Por inúmeras razões e sem qualquer complexo de Édipo ou outra qualquer explicação freudiana associada. Admiro a subtileza, astúcia e manha adquiridas com as leves rugas de expressão. Sinto-me envolvida pela certeza empregue nas palavras, a força das ideias, as conversas demoradas, os gostos refinados.
A maturidade traz o autoconhecimento e a temperança necessária para ultrapassar entraves e compreender que as relações implicam esforço. Eles entendem as instabilidades do dia-a-dia, assumem os sentimentos, não fogem sem antes lutar e amam como amigos e amantes. Tomam o corpo feminino sem a urgência dos jovens, não querem matar a sede, mas degustam cada trago.
Acho que eles conhecem melhor a alma feminina, ou pelo menos fingem melhor. =P

Isto veio a propósito de um filme que vi com o Dermot Mulroney - “The Wedding Date”. Durante o filme não parei de suspirar. A personagem personifica aquele charme, aquela compreensão do mundo feminino, aquilo que só está ao alcance dos homens com mais anos de experiências. O que
há para não gostar no charme deste belo exemplar masculino?! Não tem a beleza comum e fácil de Hollywood, mas emana sex-appeal por todos os poros!




Este é de certo como o vinho, quanto mais velho melhor! :)

O Natal já passou, mas se o Pai Natal ainda estiver por aí, podia-me trazer um "vinho" destes cá a casa.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

“Meninas boazinhas vão para o céu e as outras vão à LUTA!”


A emancipação feminina – embora na minha opinião não estando completamente substantivada, mas isso são outros quinhentos – trouxe-nos, entre outras coisas, uma mudança de atitude por parte das mulheres no jogo da sedução e na iniciativa sexual. Já dizia o Camões: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e tinha toda a razão. Em geral, somos mais liberais do que as nossas mães e no que diz respeito a sexo, temos mais desenvoltura no jogo da conquista e conseguimos enfrentar de cabeça erguida tabus legados por uma sociedade marcadamente machista. Só que toda esta similitude entre Homens e Mulheres, esta liberdade feminina para tomar a iniciativa, quanto a mim é mais aparente do que outra coisa. Para nós, mulheres, o sexo é a coisa mais natural do mundo e falar de orgasmos, vibradores, fetiches já não se apresenta como um problema, mas quando se trata de nos relacionarmos, de nos envolvermos, de darmos o primeiro passo, aí sim surge um problema, surgem as inseguranças femininas. Temos receio do julgamento do outro, do que ele possa pensar face a uma atitude mais afoita. E mais do que isso, sentimos falta do vigor masculino. Andamos perdidas. Realmente, eu própria, às vezes, não sei para onde me virar, não percebo se os homens gostam de atitude, ou se preferem a rapariga tímida que espera ser conquistada.

Afinal o que é que eles querem?!

Parece-me que eles andam preguiçosos. É de mim?! Encostaram-se a esta ideia de que a mulher é ousada, tem atitude, e andam a dormir, esperam sempre a iniciativa, a decisão feminina. Aonde andam os galãs?! Nós queremos sedução! Que nos afrontem o ímpeto, que nos encostem à parede e nos deixem sem fôlego. Sim, gostamos de seduzir, ousar, de dominar, de conquistar. Sim gostamos deste novo papel, da leveza de comportamentos, da confiança em nós próprias, da consciência sexual, estamos confortáveis com o prazer, e queremos explorar, levar ao limite, saciar, mas não queremos ser homens, não queremos fazer o vosso papel. Temos fome de impulsos masculinos.

Queremos o charme e a pujança masculina de volta!

Eu cá, gosto de ser conquistada, cortejada, seduzida, arrebatada, dominada, abduzida. Claro que também tenho os meus dias de conquistadora. Dias cada vez mais frequentes, diga-se de passagem, dias em que vejo os homens como objecto do meu desejo, e se eles andam a dormir, não posso morrer na praia, que esta vida é só uma…


…e eu vou à LUTA!

domingo, 30 de novembro de 2008

O Homem dos meus sonhos


Se ele me olhasse assim deixava de saber quem sou. Ahhhh íamos ser tão felizes os dois, eu ia ser de certeza!!! ah ah ah ah...

Coincidência das coincidências, um destes dias, sonhei com o Jude Law e vi, ainda há pouco, um filme em que Mr. Law entra. Tirem, as mentes perversas, o cavalinho da chuva que não vou estar aqui a relatar os detalhes do meu sonho. Mas adianto que foi um bom sonho :D

Hoje, enquanto a chuva caía, estive em silencio, estive a pensar no “Homem dos meus sonhos”, aquele que sei que vai chegar em breve e fazer estremecer o meu mundo e todas as certezas que me acompanham. Estive a fantasiar: Alto, forte, sensual, bonito, elegante, fiel, inteligente, bem-humorado, amigo, atencioso, bom amante, confidente…estive perdida no meu mundinho do “faz-de-conta” até que me lembrei da voz de uma amiga, a nossa Vénus, que me diz muitas vezes que tenho de olhar à minha volta, que não posso olhar só para os “Jude Laws” deste mundo. E tem a sua razão. A verdade é que aprecio beleza, gosto, sinto prazer quando estou rodeada por ela. Aprecio a sinuosidade do corpo feminino e solidez do corpo masculino em todo o seu esplendor e obscuridade. A verdade é que já fiz algumas escolhas em favor da beleza e algumas acabaram por se revelar autênticos tiros no escuro.

Lá por isso, sei que não sou superficial, não vejo beleza só em corpos esculpidos em ginásios, olhos azuis e cabelos loiros e tão pouco tenho a pretensão de achar que como mulher só me deva envolver com os “Jude Laws” deste mundo.

Continuei em silêncio, Estive a pensar na importância que dou à beleza. Na beleza que vejo todos os dias à minha volta, nas pequenas coisas, não falo da beleza dos catálogos de moda, falo da beleza dos gestos. Sem querer cair em clichés, aprecio, acima de qualquer beleza, a beleza de carácter, a beleza interior das pessoas, aí sim, com toda a minha ponderação, distingo quem é bonito de quem é feio.





Uma coisa sei, o “Homem dos meus sonhos” é o mais bonito dos Homens;)


My (day) quote: “A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla.” - David Hume

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Lembranças

"Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade."
Miguel Falabela



Encontrei esta frase perdida nas minhas gavetas, num “post it amarelo”, lembro-me perfeitamente do dia em que a vi pela primeira vez, mas não me lembro ao certo o que me levou a copiá-la. Não me lembro do exacto sentimento que quis alojar naquele quadradinho amarelo. Aí falha-me a lembrança.

Uma coisa sei: sinto saudade. Muita saudade. Sofro desse saudosismo que acompanha de perto a História de um país. Sinto saudade do que não vivi. Sinto saudade de quem não conheci. Sinto saudade do amor de antigamente. Saudade dos trovadores. Saudade das declarações de amor. Saudade das serenatas. Saudade dos amores impossíveis.

A saudade comporta dor. Acho que quando vi a frase sentia essa dor. Aquela dor subtilmente aguda, que de tão profunda apaga a luz da alma. Senti saudade das coisas boas, dos momentos vividos, daquilo que sei que não volta mais. Senti saudade de uma pessoa, saudade de estremecer, saudade de conter amor dentro do peito. Senti a alma latejar de saudade.

Sofri de saudade, não o nego. Hoje ainda sinto saudade. Saudade que não maltrata mas de certo atormenta. Hoje a saudade não é somente a dor, a falta de alguém ou dos momentos vividos. Hoje a saudade remete-me às experiências passadas que serão de grande importância aos momentos que virão.


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Acho que me cabia a mim fazer uma pequena introdução ao blogue, visto ser este o primeiro post, mas deixo isso para outra altura dado o adiantado da hora. =)